Vegetarianos e carnívoros: muito mais que um regime alimentar, um estilo de vida

Por: Karla Santos

O vegetarianismo, para alguns definido somente como uma dieta voltada ao consumo de alimentos de origem vegetal é, para os vegetarianos, um estilo de vida, que pode ser adotado por diversos fatores, que vão de origem econômica à saúde, mas para a maioria, o fator primordial é o amor aos animais. A origem do vegetarianismo é atribuída a tradição filosófica indiana, que tem cerca de 5 milhões de anos. Os vegetarianos estritos ou não, assim como os veganos, buscam ampliar o cuidado pela vida animal além da alimentação, e optam por consumir produtos produzidos sem exploração. 

Uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2018 constatou que aproximadamente 30 milhões de brasileiros são adeptos ao vegetarianismo. Em 2020, outra pesquisa do Ibope encomendada pelo Good Food Institute Brasil identificou que 47% dos brasileiros reduziram o consumo de carne. A redução pode ser atribuída a questões econômicas, mas também à adoção de um novo estilo de vida voltado a um cuidado com o meio ambiente e aos animais.

Em contrapartida, os denominados carnívoros, que possuem uma dieta composta tanto por alimentos de origem animal quanto de origem vegetal, representam a maioria da população brasileira. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil ocupa a 5º posição no ranking mundial de consumo de carne. Cada brasileiros consome, em média,  78 kg de carne por ano. 

A estudante Ana Laura de Andrade, de 21 anos, vegetariana desde novembro de 2020, assume que o principal fator para aderir a dieta foi justamente o amor aos animais “o modo como tudo acontece até chegar no nosso prato é cruel, e matar para apenas agradar meu paladar, não vale a pena!”, afirmou. Para conseguir se adequar ao novo estilo de vida, a jovem buscou assistência profissional “fui ao nutricionista para montar o cardápio, geralmente preparo as marmitas no final de semana e congelo, para ter menos trabalho”, completou a estudante.

Um dos maiores desafios para quem busca mudar a alimentação é se adequar ao ambiente. A escassez de alimentos prontos e de restaurantes que ofereçam praticidade para quem não gosta de cozinhar, acaba sendo um empecilho na busca da reestruturação do prato cotidiano. A família de Ana Laura não é vegetariana, mas oferece o suporte necessário “minha família não aderiu ao vegetarianismo, mas às vezes separam o meu pra depois colocar carne ou temperos de origem animal. Quando compramos algo  que todos podem comer, a família tem aquele cuidado e atenção para que eu também possa comer”, relatou Ana Laura. 

Para a jornalista Anália Ramos, de 24 anos, o vegetarianismo já foi uma opção, mas a falta de acesso à alimentação vegetariana na rua acabou minando a vontade de continuar com a dieta: “Já consegui ficar meses sem comer carne, mas sempre volto. Gosto de sabor, mas o que mais pesa pra mim é justamente o fácil acesso a alimentos com carne, enquanto para alimentos vegetarianos não existe tanta opção. A minha rotina necessita de alimentos a pronta entrega, de alimentos no supermercado que eu possa comprar e consumir imediatamente, e o vegetarianismo não me oferece isso. Uma grande questão também é a falta de diversidade de produtos e o valor elevado dos que circulam na rede comercial do estado”, justificou
A nutricionista Thiane Brito alerta que os dois estilos de vida são válidos desde que as pessoas procurem acompanhamento especializado e não desregulem os horários de alimentação ou compensem as vontades em alimentos ultraprocessados e extremamente calóricos “toda dieta pode ser adequada se bem assistida por um profissional. É preciso investigar e entender o próprio corpo antes de qualquer decisão”, alerta a nutricionista.

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